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Contos do Viveiro: O Vício em Presença

Tem gente que chega ao Camping Viveiro carregando no corpo o ritmo de um mundo que nunca desliga.

É aquele olhar de quem ainda está tentando responder a tudo.

Mensagens.

Notificações.

Cobranças.

Informações.

Como se o celular tivesse se tornado uma extensão da própria atenção.

Mas então a pessoa atravessa o Portal do Viveiro.

Pisa no chão.

Sente a terra.

Ouve os sons que estavam ali o tempo todo.

E alguma coisa começa a mudar.

Não porque alguém mandou.

Não porque existe uma regra.

Mas porque, de repente, a vida real começa a ficar mais interessante.

Há pouco tempo vivi uma cena que representa exatamente isso.

Eu estava conduzindo o nosso tour de harmonização pelo Viveiro, o HARMO — Harmoniza para o irmão — quando ouvi um grito de alegria vindo do caminho da cachoeira.

Era o Lucas, um hóspede que tinha vindo do Espírito Santo.

Ele chegou com aquele brilho no olhar de quem tinha acabado de reencontrar alguma coisa dentro de si.

Nem esperou chegar perto e falou:

— Rivass! Passei o dia inteiro no sistema Bio-Fi! Nem encostei no celular, cara! Foi incrível!

A alegria dele chamou atenção.

Não era uma alegria de quem tinha cumprido uma regra.

Era a alegria de quem tinha descoberto uma possibilidade.

Ao lado dele estava André, um outro hóspede que participava do tour comigo.

Ele ouviu aquilo e respondeu na hora:

— É mesmo? Então eu também vou adotar isso!

E continuamos nossa caminhada.

Sem palestra.

Sem obrigação.

Sem ninguém dizendo o que era certo ou errado.

Apenas um ambiente mostrando uma outra possibilidade.

Eles não deixaram o celular porque alguém proibiu.

Deixaram porque encontraram algo que naquele momento parecia mais importante.

A conversa.

A natureza.

O movimento.

A presença.

E talvez esse seja um dos maiores aprendizados:

O problema nunca foi a tecnologia.

A tecnologia trouxe soluções incríveis.

A questão é quando ela deixa de ser uma ferramenta e começa a ocupar todos os espaços da nossa vida.

Quando a tela começa a substituir experiências.

Quando começamos a acompanhar a vida dos outros e esquecemos de construir a nossa própria história.

Porque existe uma diferença enorme entre assistir uma vida acontecendo e viver uma vida acontecendo.

A natureza não pede senha.

Não exige aprovação.

Não mede curtidas.

Não compara histórias.

Ela simplesmente recebe.

E quando o ser humano silencia um pouco o excesso de estímulos, começa a perceber sons que estavam escondidos:

O vento passando pelas folhas.

A água seguindo seu caminho.

Os pássaros.

O próprio pensamento.

A própria respiração.

É como se a pessoa lembrasse de uma frequência que sempre esteve disponível.

A mágica não estava na natureza.

A natureza sempre esteve ali.

Nós é que tínhamos esquecido de olhar.

É isso que buscamos construir no Viveiro.

Não afastar as pessoas da tecnologia.

Mas ajudar cada pessoa a sair de dentro da tela e voltar para dentro da própria vida.

Porque a recompensa de uma experiência real permanece.

Uma conversa verdadeira.

Uma trilha vencida.

Uma cachoeira.

Um pôr do sol.

Uma história vivida.

Tudo isso fica.

E talvez seja esse o verdadeiro significado do Bio-Fi:

Não desligar todas as conexões.

Mas recuperar a conexão mais importante.

A conexão com a vida.

Seja bem-vindo aos Contos do Viveiro.

Aqui, a gente não abandona o mundo digital.

A gente reaprende a viver o mundo real.

Um abraço quebra-costelas,

Rivass

Contos do Viveiro: A Frequência Que Protege

Essa história aconteceu em um domingo de manhã no Viveiro.

O dia começava a despertar, e eu fazia minha ronda habitual pelo espaço.

Era aquele momento de anfitrião. Caminhar pelo terreno, observar cada canto, perceber se algum hóspede precisava de alguma coisa, cuidar para que tudo estivesse fluindo bem.

A rotina de quem cuida de pessoas que chegam buscando algo essencial.

Foi quando ouvi a voz do Miguel.

Ele estava sentado próximo à fogueira, que ainda guardava o calor da noite anterior, com sua esposa grávida ao lado.

Eu me aproximei imaginando que fosse alguma dúvida sobre o camping, alguma necessidade prática, alguma orientação sobre o espaço.

Mas, quando sentei, percebi que a conversa era outra.

Miguel não queria falar sobre estrutura.

Ele queria compartilhar uma percepção sobre a vida.

Naquele momento, meu “modo de trabalho” desligou.

Eu deixei de ser apenas o anfitrião e passei a ser um ouvinte.

Ele falava sobre frequência, sobre conexão, sobre a relação entre o ser humano e a natureza.

Apontava para as árvores, para as pedras, para o céu da Chapada, relacionando tudo aquilo com algo maior.

Era como se ele estivesse enxergando uma arquitetura invisível da vida acontecendo diante dos nossos olhos.

Ele falava com a empolgação de quem encontra, na experiência, algo que durante muito tempo buscou compreender.

Mas, em determinado momento, a conversa mudou.

Miguel silenciou.

O movimento das mãos parou.

Ele virou lentamente para a esposa.

Naquele olhar existia algo profundo.

Era o olhar de um pai.

De alguém que carregava a responsabilidade e o amor por uma nova vida que estava chegando.

O tempo pareceu diminuir.

E então ele falou:

— Nós não vamos permitir que eles sequestrem a frequência do nosso filho.

Naquele instante eu fiquei em silêncio.

Aquela frase carregava muito mais do que as palavras.

Era sobre proteção.

Era sobre escolhas.

Era sobre o desejo de preservar uma infância conectada com algo mais verdadeiro.

Ali, entre a terra e o céu da Chapada, eu entendi que eles não estavam apenas viajando.

Eles estavam buscando um ambiente onde aquela nova vida pudesse começar em uma frequência diferente.

Ao final da conversa, Miguel levantou, olhou nos meus olhos e estendeu a mão.

— Gratidão, Rivass, por me permitir conhecer o Viveiro.

O aperto de mão carregava respeito e conexão.

Abraçamos sua esposa.

E ficou aquela sensação de que eles voltariam um dia.

Voltariam com o bebê nos braços.

E eu estarei aqui.

Porque no Viveiro a gente não recebe apenas visitantes.

A gente cria encontros.

A gente preserva momentos.

A gente cuida da frequência da vida.

Um abraço quebra-costelas,

Rivass

Contos do Viveiro: O Lavabo do Amor

Tem histórias que começam no Camping Viveiro, mas continuam muito depois que a pessoa vai embora.

Essa é uma delas.

Eu recebi uma família no Camping Viveiro.

Durante a experiência deles, eu apresentei o HARMO.

Harmoniza para o irmão.

E eu explicava que aquilo não era uma regra.

Não era uma obrigação.

Não era uma imposição.

Era um ato de amor.

Era entender que tudo o que fazemos em um espaço compartilhado interfere na experiência da próxima pessoa.

Era cuidar pensando no irmão que vai chegar depois.

Era deixar o ambiente melhor do que encontramos.

Em determinado momento, durante o protocolo HARMO, chegamos ao lavabo.

E foi ali que aconteceu algo que eu nunca esqueci.

Ela olhou aquele espaço.

Observou os detalhes.

Percebeu o cuidado presente em algo que muitas vezes passa despercebido.

E naquele instante parece que alguma coisa se conectou dentro dela.

Ela entendeu que o HARMO não era apenas sobre organização ou limpeza.

Era sobre cuidado.

Era sobre respeito.

Era sobre amor pelo outro.

Ela olhou para mim, emocionada, e falou:

— Rivass… você mudou minha forma de enxergar a vida.

Naquele momento eu senti a profundidade daquilo que estávamos construindo.

Porque, às vezes, uma coisa simples consegue revelar uma mudança enorme na forma como uma pessoa enxerga o mundo.

O lavabo era apenas um lavabo.

Mas, para ela, naquele momento, representava uma nova forma de olhar para a convivência.

Depois daquela experiência, eles foram embora.

Mas a história não terminou ali.

Com o passar do tempo, começaram a chegar mensagens, vídeos e ligações.

Eles tinham levado o HARMO para dentro de casa.

Eu recebia vídeos da família dizendo:

— Estamos harmonizando aqui, Rivass.

E aquilo me emocionava.

Porque o Camping Viveiro tinha atravessado os limites do espaço físico.

O HARMO não ficou preso ao lugar.

Entrou em uma casa.

Virou uma prática de família.

Virou uma nova forma de convivência.

E o mais bonito era que, em datas especiais, eu recebia mensagens dela.

Ela desejava um Feliz Natal e aproveitava para mandar aquela mensagem cheia de carinho:

— Rivass, estamos harmonizando para o irmão.

Aquilo sempre me tocava.

Porque ali eu percebia que o HARMO tinha deixado de ser apenas uma experiência vivida no Camping Viveiro.

Tinha virado uma forma de enxergar a vida.

Uma mensagem de Natal não era apenas uma saudação.

Era uma lembrança de amor, cuidado e conexão.

Era como dizer:

“Eu continuo vivendo aquilo que aprendi.”

E é isso que o HARMO representa:

Harmoniza para o irmão.

Um ato de amor.

O verdadeiro resultado de uma experiência não é quando a pessoa fica dependente de um lugar.

É quando ela consegue levar a essência para a própria vida.

O Camping Viveiro foi apenas o começo.

A harmonização continuou dentro daquela família.

Um abraço quebra-costelas,

Rivass

Contos do Viveiro: O Portal do Sonho — Será Que Ele Existe?

Essa história aconteceu antes mesmo de existir a palavra Bio-Fi.

Naquela época, eu ainda não tinha essa nomenclatura, não tinha o selo e nem o conceito todo organizado na minha mente.

Mas hoje, olhando para trás, percebo com clareza:

Muitas histórias que vivemos aqui já carregavam a essência viva do que o Bio-Fi viria a ser.

Uma dessas histórias é a da Marina.

Ela estava viajando de ônibus quando ligou para o Camping Viveiro para entender como funcionava o espaço.

Durante aquela conversa simples pelo telefone, algo aconteceu.

Uma conexão.

Uma sensação difícil de explicar.

E naquele momento ela decidiu:

Ela iria descer na Chapada.

Mais tarde, ela me confessou algo que nunca esqueci:

— Rivass, eu decidi ficar aí no exato momento em que falei com você. Eu senti uma frequência.

Ela chegou.

Viveu alguns dias intensos conosco.

Conheceu a força da natureza.

Conheceu pessoas.

Experimentou o silêncio.

Sentiu uma pausa naquele ritmo acelerado que normalmente acompanha a vida nas grandes cidades.

E quando a temporada terminou, ela seguiu seu caminho de volta para São Paulo.

Alguns dias se passaram.

Até que o telefone do Viveiro tocou.

Era ela.

— Oi, tudo bem? — atendi.

— Você é do Camping Viveiro? — ela perguntou.

— Sou sim.

— Você é o Rivass?

— Sou eu mesmo.

Houve uma pequena pausa do outro lado da linha.

Eu fiquei esperando alguma dúvida, algum comentário, talvez alguma coisa que ela tivesse esquecido.

Mas veio uma pergunta que eu nunca tinha recebido antes:

— Rivass… eu estive aí mesmo ou eu estava sonhando?

Depois que desliguei o telefone, fiquei pensando naquela frase.

Ela sabia que tinha estado ali.

Sabia dos dias que viveu.

Sabia das pessoas que conheceu.

Mas a experiência de sair do ritmo comum da cidade e entrar em sintonia com aquele ambiente tinha sido tão diferente da realidade que ela conhecia, que parecia difícil acreditar que aquilo realmente tinha acontecido.

Era como se a mente dela perguntasse:

“Como pode existir um lugar onde eu me sinto tão diferente?”

O tempo passou.

Até que um dia aconteceu algo curioso.

Eu estava no Viveiro cuidando do espaço, fazendo o trabalho de harmonização, quando escutei um barulho forte vindo do portal de entrada.

O portão balançava.

E uma voz gritava do lado de fora:

— Deixa eu sair! Deixa eu sair! Deixa eu sair!

Eu parei o que estava fazendo.

Pensei:

“Mas como assim? A pessoa está do lado de fora e quer sair?”

Fui até o portal para entender o que estava acontecendo.

Quando cheguei lá, era ela.

A mesma Marina.

Ela tinha voltado.

Assim que nossos olhos se encontraram, ela começou a rir.

Eu também.

A cena era tão inesperada, tão espontânea, que não tinha outra reação possível.

— Vamos abrir esse portal agora! — falei.

Abrimos o portão.

Demos aquele abraço apertado.

E ela entrou novamente.

Mas o que mais me marcou nessa segunda passagem dela pelo Viveiro não foi a brincadeira do portal.

Foi o que aconteceu nos dias seguintes.

Sem que ninguém pedisse.

Sem obrigação.

Sem regra.

Ela começou a harmonizar o espaço.

Pegava o rastelo.

Cuidava do chão.

Organizava o ambiente.

E fazia tudo com um sorriso no rosto.

Quem olhava de fora podia pensar que ela estava apenas limpando.

Mas não era isso.

Ela estava cuidando.

Estava participando.

Estava criando uma relação com aquele lugar.

Aquela mesma pessoa que um dia ligou perguntando se tinha sonhado com o Viveiro agora estava ali, com os pés na terra, ajudando a construir e cuidar daquele ambiente.

Com o tempo, nossa conexão virou raiz.

Nos tornamos amigos.

Irmãos de caminhada.

E essa história ficou guardada comigo porque ela representa algo que considero muito importante:

O Bio-Fi não começa quando você cruza um portal físico.

Ele começa quando você percebe que pode fazer parte.

A pessoa chega como visitante.

Mas, quando a conexão é verdadeira, ela passa a cuidar.

Passa a harmonizar.

Passa a sentir que aquele espaço também pertence a ela.

Esse é mais um dos Contos do Viveiro.

Um abraço quebra-costelas,

Rivass

Contos do Viveiro: Onde Foi Que Eu Me Perdi?

A Frequência Que Me Trouxe Até Aqui

Muita gente olha para mim hoje, aqui no Camping Viveiro, cuidando dos detalhes, buscando essa conexão com a natureza e falando sobre Bio-Fi, e talvez imagine que eu sempre fui esse cara.

Mas a verdade é que esse silêncio que a gente cultiva aqui não nasceu de uma vida sem barulho.

Muito pelo contrário.

Eu vim do movimento.

Do desafio.

Da pressão.

Da linha de frente.

E talvez seja justamente por ter vivido tantos ambientes de intensidade que hoje eu consigo reconhecer o valor da presença.

A vida nunca me deu muitos atalhos.

Ela me deu experiências.

E eu caminhei por todas elas.

Foram mais de três décadas dentro da capoeira.

Roda.

Mestre.

Professor.

Formador de pessoas.

Aprendi que uma roda de capoeira nunca foi apenas sobre movimento.

Era sobre respeito.

Sobre escuta.

Sobre entender o outro.

Depois vieram os anos dentro das salas de aula universitárias.

Foram 17 anos convivendo com milhares de pessoas.

E quem é professor sabe:

Muitas vezes a gente não ensina apenas uma matéria.

A gente escuta histórias.

Aconselha.

Acolhe.

Ajuda pessoas que chegam carregando perguntas que vão muito além daquilo que está escrito nos livros.

Também vivi a liderança.

Estive à frente de organizações.

Tomei decisões difíceis.

Cometi erros.

Acumulei aprendizados.

Porque toda caminhada verdadeira tem acertos e tropeços.

Mas existe algo que o tempo me ensinou:

A minha entrega sempre foi verdadeira.

Nem todo mundo vai entender sua caminhada.

Nem todo mundo vai concordar com suas escolhas.

E tudo bem.

Cada pessoa enxerga o mundo a partir da própria frequência.

Eu aprendi a cuidar da minha.

Durante muito tempo, busquei respostas olhando para fora.

Busquei conquistas.

Reconhecimento.

Resultados.

Mas em algum momento da vida uma pergunta começou a aparecer:

“Será que eu estou construindo uma vida ou apenas cumprindo uma caminhada?”

Foi nesse processo que comecei a perceber algo.

O passado não é um lugar para morar.

É um lugar para visitar.

Para agradecer.

Para aprender.

E seguir.

O mestre que fui não desapareceu.

O professor que fui não ficou para trás.

O líder que fui continua comigo.

Tudo isso construiu a base do que existe hoje.

Mas a frequência mudou.

Meu ritual mudou.

Hoje meu trabalho começa antes de qualquer palavra.

É cuidar.

É harmonizar.

É observar.

É perceber.

Meu limpar o cache é diário.

Troquei um pouco do excesso de respostas pela busca de melhores perguntas.

Troquei o barulho pela escuta.

Troquei a pressa pela presença.

E foi nesse caminho que nasceu o Bio-Fi.

Não nasceu como uma estratégia.

Não nasceu como uma ideia criada em uma mesa.

Nasceu como consequência.

Como resultado de uma vida inteira tentando entender uma coisa:

Como podemos voltar a nos conectar?

Com a natureza.

Com as pessoas.

Com nós mesmos.

Hoje eu não busco mais o lugar mais alto.

O maior título.

A maior posição.

Porque descobri que a liderança mais verdadeira não é aquela que coloca alguém acima dos outros.

É aquela que ajuda outras pessoas a reencontrarem o próprio caminho.

O Camping Viveiro faz parte dessa missão.

O Bio-Fi também.

E eu continuo aqui.

Cuidando do espaço.

Harmonizando para o irmão.

Aprendendo todos os dias.

Talvez eu tenha passado muitos anos procurando onde eu deveria chegar.

E hoje eu percebo:

Eu não estava perdido.

Eu estava caminhando.

Cada experiência.

Cada encontro.

Cada erro.

Cada acerto.

Cada desafio.

Tudo estava construindo a estrada que me trouxe até aqui.

RIVASS, ESCUTA.

Agora é de Rivass para Rivass.

Você sabe:

Você é as suas escolhas e consequências.

Continue.

O caminho continua.

Nos vemos no futuro.

Contos do Viveiro: O Pedido da Fogueira

Tem histórias que começam com uma conversa simples.

E, quando a gente olha para trás, percebe que alguns momentos carregavam algo especial.

Essa é uma delas.

Eu recebi um grupo de cinco mulheres no Camping Viveiro.

E olha…

Elas chegaram determinadas.

Não era aquele tipo de viagem para ficar deitada na rede olhando para o céu.

Elas queriam viver a Chapada.

Acordavam cedo.

Saíam para o mundo.

Era trilha.

Era cachoeira.

Era caminhada.

Era aventura.

De seis da manhã até dez da noite.

Uma semana inteira nessa energia.

E sem reclamar.

Sem pressa.

Sem perder a alegria.

Voltavam das trilhas, faziam comida juntas, acendiam a fogueira, tomavam aqueles banhos memoráveis depois de um dia inteiro de caminhada e aproveitavam cada momento.

Entre elas estava Helena.

Como ela foi quem fez a reserva, naturalmente acabamos conversando mais durante a semana.

Um dia cheguei até a fogueira para saber se estava tudo bem.

A conversa estava solta.

Risadas.

Histórias.

Aquela energia boa de quem está vivendo o presente.

Até que, de repente, Helena virou para mim e falou:

— Rivass, eu vou voltar.

Eu olhei para ela e perguntei:

— Vai?

— Vou.

— E vai voltar para quê?

Ela respondeu:

— Vou voltar para casar aqui na Chapada.

Eu olhei para ela e perguntei:

— Mas pera aí… você tem namorado?

Ela respondeu:

— Não tenho.

E falou aquilo com uma tranquilidade que parecia que já sabia de algo que ainda não tinha acontecido.

Depois completou:

— Mas eu já fiz o meu pedido.

Eu ri e falei:

— Então pode ficar tranquila. Se fez o pedido aqui, vamos ver o que a vida prepara.

A semana terminou.

Elas fizeram as malas.

Deram tchau.

E foram embora.

A vida continuou.

O Camping Viveiro continuou recebendo pessoas.

E aquela conversa da fogueira ficou guardada em algum canto da memória.

Até que, um dia, o telefone tocou.

Era Helena.

— Rivass, estou voltando.

— Que legal! Vai vir com a turma toda?

— Não.

— Não?

— Estou indo com meu noivo.

Na hora eu comecei a rir.

Ela continuou:

— E vou casar aí.

A mulher que um dia estava na fogueira sem namorado agora estava voltando para realizar exatamente aquilo que tinha falado naquela noite.

Ela voltou.

Chegou com Daniel.

Os dois estavam em uma frequência diferente.

Mais tranquilos.

Mais serenos.

Com aquela calma bonita de quem está vivendo um sonho.

E o casamento aconteceu.

Lá na Cachoeira Santa Bárbara.

Uma das cachoeiras mais bonitas da Chapada.

Um daqueles lugares que parecem ter sido desenhados pela própria natureza.

A cerimônia foi realizada pelo River, um guia local que tem uma conexão especial com esse território.

O casamento foi lindo.

Depois eles voltaram para o Camping Viveiro.

Abraços.

Alegria.

Comemoração.

Mas havia um detalhe.

Percebi uma preocupação no rosto deles.

Perguntei:

— O que aconteceu?

Helena respondeu:

— O Daniel perdeu a aliança.

Perdeu a aliança.

No dia do casamento.

Na Cachoeira Santa Bárbara.

Eu tentei tranquilizar os dois.

Falei que o mais importante era a história que eles estavam construindo.

Que uma aliança poderia ser refeita.

Mas eu entendia.

Não era apenas uma joia.

Era aquela aliança.

Aquela do dia do sonho realizado.

No dia seguinte eles sairiam para outro passeio.

Depois voltariam para São Paulo.

Foi então que recebi uma ligação.

Era o River.

— Rivass, a Helena já foi embora?

— Ainda não.

— Então fala para ela que eu achei a aliança.

Naquele momento eu quase não acreditei.

O River tinha levado outro grupo para a cachoeira.

Entrou na água.

Procurou.

E encontrou justamente a aliança.

Eu não sei explicar essas coisas.

Só sei que histórias assim já aconteceram outras vezes.

Naquele dia, quando contei para Helena, ela abraçou Daniel.

Os dois ficaram emocionados.

Riram.

Comemoraram.

E eu tenho certeza que, naquele momento, eles sentiram que estavam vivendo mais um capítulo daquela história.

E eu fiquei pensando em como a vida gosta de construir seus próprios caminhos.

Porque tudo começou com uma conversa em volta de uma fogueira.

Uma mulher fazendo um pedido.

E terminou com ela voltando para a Chapada, encontrando o amor, realizando um sonho e levando sua aliança de volta para casa.

Algumas histórias a gente não explica.

A gente apenas vive.

Esse é mais um dos Contos do Viveiro.

Um abraço quebra-costelas,

Rivass